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Todos nós, em algum momento, gostamos de seduzir ou de ser seduzidos. Essa dinâmica pode ocorrer de forma consciente ou inconsciente, discreta ou escancarada, seja para conquistar atenção, afeto ou admiração. A sedução, por si só, não é boa nem má; seu valor depende da intenção por trás do gesto e do estado emocional ou moral de quem a pratica.

A origem etimológica da palavra sedução vem de sed (doença, entorpecimento) + ducere (conduzir), sugerindo uma condução que pode ser sutil, envolvente e até imperceptível. Trata-se de uma atitude comum, presente em diversas interações humanas.

No cotidiano, estamos constantemente envolvidos em jogos de sedução, seja no casamento, nos relacionamentos afetivos ou até mesmo nos negócios. Um vendedor que encanta o cliente com uma apresentação eloquente está, de certa forma, seduzindo. Uma propaganda bem produzida seduz seu público-alvo por meio de linguagem, cores e sons cuidadosamente escolhidos. Na vida conjugal, a sedução se manifesta em gestos simples, como preparar o prato preferido do parceiro. Embora pareça trivial, esse é um exemplo de sedução saudável, que visa manter o vínculo afetivo e reacender a chama do relacionamento.

Quando o achei, me perdi; quando o perdi, me achei.

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Por outro lado, existe a sedução patológica, aquela que se vale de recursos manipulativos e nem sempre éticos para conquistar o amor ou a atenção do outro. O(a) sedutor(a) patogênico(a) pode, ao atingir seu objetivo, abandonar a pessoa seduzida e partir em busca de uma nova conquista. Em outros casos, mantém o relacionamento, mas com características tóxicas, aprisionando o outro em uma rede de sentimentos confusos e dependência emocional.

Esse tipo de sedução pode provocar um entorpecimento afetivo, tornando-se crônico e difícil de tratar. Nesses casos, é comum que a pessoa seduzida se veja envolvida em uma relação que para se desvencilhar, precisa de intervenção psicoterapêutica, especialmente com base psicanalítica.

Há também situações em que o(a) sedutor(a) utiliza estratégias sofisticadas para provocar fascinação, que pode ser pelo artifício do intelecto, aparência física ou palavras estrategicamente articuladas. O seduzido, então, projeta no outro uma imagem idealizada, como se estivesse diante de sua alma gêmea. O encantamento, nesse caso, não é apenas pelo outro, mas por aquilo que ele espelha de si mesmo.


A sedução faz parte da vida, mas como qualquer linguagem emocional, exige responsabilidade.

E você, lembra quando foi a última vez que seduziu alguém, ou foi seduzido?


Seduza com consciência. Você pode. Você é capaz.

Reinaldo Nunes

Psicanalista Clínico

Instagram: @reinaldonunespsi

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